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Como fazer o balanço patrimonial de uma empresa? Entenda

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O Balanço Patrimonial — juntamente com o Demonstrativo do Resultado do Exercício (DRE) — são duas das demonstrações financeiras que melhor explicam a situação atual de uma empresa. Se você é proprietário ou gestor de uma companhia que tem algum regime de tributação que não seja o Simples Nacional, provavelmente já sabe que essa é uma demonstração contábil obrigatória, como fica claro na Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. 

“Art. 31. A documentação relativa à qualificação econômico-financeira limitar-se-á a:

I – balanço patrimonial e demonstrações contábeis do último exercício social, já exigíveis e apresentados na forma da lei, que comprovem a boa situação financeira da empresa, vedada a sua substituição por balancetes ou balanços provisórios (…)”. 

Na prática, o balanço patrimonial é, normalmente, responsabilidade do contador da empresa ou da terceirizada contratada para prestar serviços contábeis. Então, por que se preocupar? Bem, o balanço é um dos demonstrativos mais completos de uma empresa e tem enorme potencial de auxiliar na gestão financeira empresarial, planejamento e tomada de decisões. 

Neste artigo, o Blog da FortBrasil traz para você a importância do balanço patrimonial, por que essa demonstração deve ser mais do que uma obrigação ou formalidade e, ainda, explicamos os seus componentes básicos — ativos e passivos. Boa leitura! 

Como é feito o balanço patrimonial de uma empresa?

Seu balanço patrimonial é, basicamente, a demonstração item a item do cálculo do seu patrimônio líquido, que, por sua vez, consiste nos seus ativos menos seus passivos. Ou seja:

  • Patrimônio líquido = Ativos – Passivos

Como o patrimônio líquido inclui o lucro real, o capital social e a reserva de capital do negócio, é bastante comum olhar para essa equação da seguinte perspectiva:

  • Ativos = Patrimônio líquido + Passivos 

Por esse motivo, é muito comum esse modelo, que divide o balanço em duas colunas, colocando os ativos de um lado e passivos e patrimônio líquido do outro. 

Os ativos devem ser demonstrados em ordem decrescente de liquidez, ou seja, a facilidade com que podem ser transformadas em dinheiro. Vamos passar, primeiro, pelos tipos de ativo de uma empresa, considerando uma demonstração que seja anual.

Ativos circulantes

São aqueles que podem ser convertidos em dinheiro no curto prazo: 

  • aplicações com liquidez;
  • vendas a prazo com parcelas para o ano seguinte;
  • produtos em estoque;
  • recebimentos de curto prazo etc.

Ativo não circulante

Naturalmente, é o ativo que não pode ser convertido em dinheiro no curto prazo:

  • contas a receber no longo prazo;
  • investimentos com resgate no longo prazo (dinheiro aplicado em fundos de investimento com resgate pré-fixado para resgate em X anos, por exemplo);
  • ativos imobilizados, como os equipamentos essenciais para o funcionamento do negócio, veículos, imóveis etc.;
  • ativos intangíveis, patentes, marcas ou softwares, como o seu ERP, CRM etc.

Passivo circulante

Os passivos passam, essencialmente, pela mesma divisão. O chamado passivo circulante inclui as obrigações a serem pagas no próximo ano:

  • salários e encargos;
  • impostos;
  • títulos e duplicatas a serem pagos antes da demonstração seguinte etc.

Passivo não circulante

Considerando uma demonstração que é anual, o passivo não circulante é tudo aquilo que tem pagamento previsto para além da demonstração seguinte — ou seja, o dinheiro que é previsto para sair a partir do 13º mês seguinte à demonstração anual.

  • parcelas de empréstimos e financiamento a partir do 13º mês seguinte à demonstração;
  • parcelas de refinanciamentos de encargos, dívidas nos mesmos critérios etc.

Capital social e reserva de capital

Por fim, entram na conta, seguindo a legislação juntos aos passivos, o capital social e a reserva de capital, que é o dinheiro colocado diretamente pelos sócios para início, manutenção e crescimento do negócio. 

Quer aprender mais sobre o que entra em cada parte do seu balanço patrimonial? Vale a pena dar uma olhada no Capítulo 15 da Lei nº 6.404, a chamada Lei das Sociedades Anônimas.

Qual a importância do balanço patrimonial?

Você deve encará-lo como uma das melhores oportunidades para analisar a situação do seu negócio naquele exato momento. O balanço patrimonial dá a oportunidade a quem o analisa — mesmo com conhecimentos contábeis básicos — de entender o momento financeiro da companhia, ou seja, é um ótimo indicador de desempenho.

Você pode observar, por exemplo, que a empresa tem ativos com liquidez (Certificados ou Letras de Crédito, por exemplo) que poderiam ser usados para quitar passivos com juros maiores do que aqueles dessas aplicações. Ou, então, adiantar recebíveis para honrar compromissos. No mesmo sentido, você pode perceber a possibilidade de realocar recursos do seu passivo, pois dinheiro parado em conta não rende — inclusive, vale conferir nosso artigo 4 investimentos para PJ e suas tributações.

Já com o pensamento no médio e longo prazo o balanço patrimonial se torna ainda mais importante. Comparando as demonstrações ano a ano você pode não apenas observar a evolução do seu patrimônio como fazer análises mais específicas. 

Você pode perceber que certa despesa cresceu de maneira desproporcional entre um balanço e outro. Ou, então, que um aumento de faturamento comemorado pelos sócios veio acompanhado de um aumento ainda maior nos passivos. A boa análise do balanço pode, até, servir para adiantar cenários e ser um gestor não apenas reativo, mas capaz de perceber, por exemplo, que o passivo de longo prazo da empresa esconde perigos.

Concluindo, é um erro enxergar demonstrações como o balanço patrimonial, a DRE ou até mesmo a demonstração de fluxo de caixa como obrigações e formalidades que mais interessam ao contador do que à chefia. Esses documentos se complementam e são instrumentos valiosos para entender o que aconteceu e planejar os próximos passos.

Ainda, nada impede o gestor de realizar balanços patrimoniais com frequência maior do que anualmente, como exigido por lei. O mesmo vale para o índice de liquidez corrente, a divisão entre os ativos em X dias pelos passivos nos mesmos X dias, especialmente importante para varejistas que trabalham com crediário próprio

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